
Para compreender melhor os desempenhos de longo prazo, convém regressar aos motores fundamentais. O desempenho das ações depende acima de tudo do crescimento dos lucros, enquanto o das obrigações é mais guiado pela sua taxa de rendimento atuarial. Uma vez estabelecido este quadro, as estatísticas históricas fornecem alguns ensinamentos que podem parecer contra-intuitivos.
O desempenho esperado das grandes classes de ativos, com base em hipóteses normativas, pode ser resumido da seguinte forma:
O desempenho das ações provém essencialmente da progressão dos lucros e, em menor medida, dos dividendos pagos aos acionistas. A longo prazo, os lucros tendem a evoluir com o crescimento nominal da economia (ou seja, o crescimento real do PIB acrescido da inflação). Podemos também ter em conta a evolução dos múltiplos de avaliação, mas é um exercício extremamente difícil e, a longo prazo, esta variação tende a neutralizar-se, sob a hipótese de um retorno a um nível de avaliação estável.
As obrigações, por sua vez, veem o seu desempenho largamente ancorado pelo seu rendimento até à maturidade. E quanto ao preço, à medida que esta se aproxima, o preço de uma obrigação tende a convergir para o par, ou seja, o seu valor de reembolso. O rendimento combina três componentes: a taxa monetária determinada pela taxa do banco central, que remunera o simples facto de diferir o consumo; o prémio de prazo, que remunera a incerteza ligada à duração do investimento (nomeadamente quanto à evolução da inflação); e o prémio de crédito (que remunera o risco de o emissor não ser capaz de honrar os seus compromissos).
Contudo, em matéria de investimento, a nossa intuição pode ser uma má conselheira, sobretudo a curto prazo. Ela leva-nos a esperar pelo «momento certo», a confundir volatilidade com risco, ou a acreditar que o cash é sempre um investimento prudente. Os dados de longo prazo contam, contudo, uma história bem diferente.
Por detrás destas dez estatísticas, uma lição domina: o longo prazo não é uma linha reta, mas continua a ser o melhor terreno de jogo dos investidores pacientes. Ainda assim, é preciso aceitar os desvios e as irregularidades. Os mercados não prometem um trajeto confortável; recompensam aqueles que chegam ao fim.
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